can we just pretend?
Acho que o que veio a cabeça de vocês quando eu disse aquela última frase foi algo trágico, triste. Mas na verdade, aquilo quer dizer que se eu não tivesse entrado naquela casa, eu não teria nada pra contar. Teria continuado meu caminho, almoçado comida esquentada e dormido como sempre faço.
Como eu sou curiosa, a história não teve esse final, e sim o que eu vou continuar contando.
Enquanto caminhava em direção a porta, os homens da mudança me encararam com cara feia, provavelmente achando que eu estava invadindo ou coisa do tipo, só que ainda assim continuou meu caminho e quando cheguei a porta, toquei a campainha, mesmo que a porta estivesse aberta.
Minutos depois, uma mulher, aparentemente de uns 40 anos, atendeu a porta com um grande sorriso no rosto.
- Olá, como eu poderia ajuda-lá, querida?
- Só estava pelo bairro e resolvi dar as boas-vindas. Estava acostumada a passar por está casa, mas ela esteve trancada por anos.
- Sim, sim, a última família que morou aqui deixou este lugar há muito tempo, mas já fazem alguns dias que algumas pessoas trabalhavam aqui dentro, reformando o lugar.
- Acho então que sempre passei distraída, não percebi a movimentação.
- Normal para uma cabeçinha tão nova. Mas me diga, gostaria de conhecer a casa? Ainda está sem moveis, mas considerando sua gentiliza, seria rude não apresenta-lá.
Aceitei a proposta da mulher e a acompanhei pelos cômodos.
Todos eram perfeitamente planejados, sendo que só a sala da frente já era do tamanho do primeiro andar inteiro da minha casa.
Durante a caminhada, ela me contou que iriam morar com ela seus três filhos e o marido, mas que naquele momento, eles estavam em um avião voltando da viagem que fizeram a Inglaterra.
Honestamente, quem pega um avião de Londres a Paris?
Ela continuou dizendo que um dos seus filhos iria estudar na mesma escola que eu frequentava, mas que era um ano mais velho. A filha mais velha já frequentava a faculdade, e por isso só estaria em casa nos finais de semana e o filho mais velho já era um grande arquiteto.
Depois de me mostrar toda a casa, o que levou muito tempo, se quer saber, continuou me contando a história de sua vida, mas dessa vez na cozinha, junto com uma xícara de chá que tinha preparado para nós.
Disse que sua vida era solitária, e que as vezes desejava morar em uma casa menor, afinal, quem precisava de uma casa de 8 quartos quando só 2 deles seriam realmente ocupados?
Ela era uma oftalmologista renomada em toda França. Mostrou os prémios que ganhou durando sua carreira, por suas bem sucedidas cirurgias.
Também me disse que seu marido era piloto, trabalho que o fazia raramente estar em casa, por conta de suas grandes viagens.
Depois de me contar tudo sobre sua vida, fez uma pergunta que no meu ponto de vista foi muito interessante:
- E você? Qual seria sua profissão?
Ninguém realmente já tinha me feito essa pergunta.
E quando eu digo ninguém, não fique espantado, o que era de se esperar de alguém como eu, que vivia no mundo da lua?
Mas não é porque uma pergunta não foi feita, que ela não tem uma resposta pronta.
- Uma profissão que mudaria a vida de uma pessoa. Alguma coisa que as fariam acordar um dia e sentirem-se diferente. Não importa como, só sei que é isso que quero fazer.
Ela riu, e continuou tomando seu chá.
Quando olhei novamente no relógio, já eram 5:35 da tarde e achei melhor continuar meu caminho para casa, antes que minha mãe chegasse e fizesse um escândalo.
Nos despedimos, e prometi que voltaria pelo menos uma vez na semana para passar uma tarde com ela, para deixar a vida menos solitária.
Mas, quando estava quase chegando no portão, ela saiu na porta e disse algo que me deixou extremamente feliz.
- Não posso deixar de dizer isso. Bela touca vermelha.
Eu sorri e acenei.
Era aquilo que deixou minha vida mais feliz.
Era aquilo que eu faria quando crescesse.
Como eu sou curiosa, a história não teve esse final, e sim o que eu vou continuar contando.
Enquanto caminhava em direção a porta, os homens da mudança me encararam com cara feia, provavelmente achando que eu estava invadindo ou coisa do tipo, só que ainda assim continuou meu caminho e quando cheguei a porta, toquei a campainha, mesmo que a porta estivesse aberta.
Minutos depois, uma mulher, aparentemente de uns 40 anos, atendeu a porta com um grande sorriso no rosto.
- Olá, como eu poderia ajuda-lá, querida?
- Só estava pelo bairro e resolvi dar as boas-vindas. Estava acostumada a passar por está casa, mas ela esteve trancada por anos.
- Sim, sim, a última família que morou aqui deixou este lugar há muito tempo, mas já fazem alguns dias que algumas pessoas trabalhavam aqui dentro, reformando o lugar.
- Acho então que sempre passei distraída, não percebi a movimentação.
- Normal para uma cabeçinha tão nova. Mas me diga, gostaria de conhecer a casa? Ainda está sem moveis, mas considerando sua gentiliza, seria rude não apresenta-lá.
Aceitei a proposta da mulher e a acompanhei pelos cômodos.
Todos eram perfeitamente planejados, sendo que só a sala da frente já era do tamanho do primeiro andar inteiro da minha casa.
Durante a caminhada, ela me contou que iriam morar com ela seus três filhos e o marido, mas que naquele momento, eles estavam em um avião voltando da viagem que fizeram a Inglaterra.
Honestamente, quem pega um avião de Londres a Paris?
Ela continuou dizendo que um dos seus filhos iria estudar na mesma escola que eu frequentava, mas que era um ano mais velho. A filha mais velha já frequentava a faculdade, e por isso só estaria em casa nos finais de semana e o filho mais velho já era um grande arquiteto.
Depois de me mostrar toda a casa, o que levou muito tempo, se quer saber, continuou me contando a história de sua vida, mas dessa vez na cozinha, junto com uma xícara de chá que tinha preparado para nós.
Disse que sua vida era solitária, e que as vezes desejava morar em uma casa menor, afinal, quem precisava de uma casa de 8 quartos quando só 2 deles seriam realmente ocupados?
Ela era uma oftalmologista renomada em toda França. Mostrou os prémios que ganhou durando sua carreira, por suas bem sucedidas cirurgias.
Também me disse que seu marido era piloto, trabalho que o fazia raramente estar em casa, por conta de suas grandes viagens.
Depois de me contar tudo sobre sua vida, fez uma pergunta que no meu ponto de vista foi muito interessante:
- E você? Qual seria sua profissão?
Ninguém realmente já tinha me feito essa pergunta.
E quando eu digo ninguém, não fique espantado, o que era de se esperar de alguém como eu, que vivia no mundo da lua?
Mas não é porque uma pergunta não foi feita, que ela não tem uma resposta pronta.
- Uma profissão que mudaria a vida de uma pessoa. Alguma coisa que as fariam acordar um dia e sentirem-se diferente. Não importa como, só sei que é isso que quero fazer.
Ela riu, e continuou tomando seu chá.
Quando olhei novamente no relógio, já eram 5:35 da tarde e achei melhor continuar meu caminho para casa, antes que minha mãe chegasse e fizesse um escândalo.
Nos despedimos, e prometi que voltaria pelo menos uma vez na semana para passar uma tarde com ela, para deixar a vida menos solitária.
Mas, quando estava quase chegando no portão, ela saiu na porta e disse algo que me deixou extremamente feliz.
- Não posso deixar de dizer isso. Bela touca vermelha.
Eu sorri e acenei.
Era aquilo que deixou minha vida mais feliz.
Era aquilo que eu faria quando crescesse.
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