Rio de Janeiro
Há algumas semanas atrás, eu fui ao Rio de Janeiro a trabalho. E foi uma experiência no mínimo interessante.
Eu já viajei "bastante". Conheço um pouco do Brasil, e um pouco de lá fora. Mas nunca eu vi, ou presenciei, tanto falta de igualidade.
Eu fiquei hospedada num hotel no Flamengo, quase na praia. Me deram um quarto, por falta de outro, que tinha vista para o Pão de Açucar e de acordo com a porta, uma diária de 2.500 reais na temporada.
É claro que no primeiro dia, eu nem saí do hotel. Cheguei tarde e a reputação da cidade não é das melhores. Eu ando a noite em São Paulo, mas lá, era diferente.
Segundo dia, fui um pouquinho mais para o norte, um bairro chamado Ramos.
O lugar que fui visitar era em um prédio bem acabado, o elevador com certeza vai travar no meio do caminho uma hora dessas. As pessoas que trabalhavam lá eram humildes, aposto que a maioria delas não sabe o que é internet de 15 MB e algumas delas, um celular com whatsapp.
Me falaram que o bairro é vigiado por policiais aposentados, e por isso acontecem menos crimes. Todo mundo quanto saía do prédio, procurava pelo carro pra ter certeza que ninguém tinha levado.
Quando voltei para o hotel, já era tarde, mas resolvi que era melhor dar uma volta na praia.
Como qualquer pessoa normal, o primeiro instinto quando chega numa praia, é colocar o pé na água.
Alguém caminhando perguntou se eu ia entrar na água, eu só ri e continuei andando. Mas depois ele voltou pra conversar. Ok, em condições normais conversar com estranhos não é uma coisa boa, mas ele parecia normal demais.
Ele começou a falar sobre o Rio, como a cidade não era tudo aquilo que a mídia colocava.
Ele falava como se tivesse orgulho das favelas. Como se o crime não existisse.
E foi aí que fiquei incomodada.
É fácil pra ele, que mora a duas quadras da praia, achar que o Rio não tem tantos problemas quanto tem. Ele não mora num lugar dominado por traficantes ou super lotado de policiais. Ele pode sair pra caminhar todo dia na praia.
Ele também falou que pra ser famoso, tem que ser do Rio. Pena que isso não trás nada de importante pro mundo.
No outro dia, fui pra outra cidade, São Gonçalo. Lá a empres também tinha pessoas extremamente humildes, com opniões totalmente diferentes do moço do Flamengo. Eles viam o problema na cidade, queriam segurança, não se orgulhavam daquilo.
Fui descobrir depois que os correios não entregam carta no lugar, é muito perigoso.
Que mundo é esse? Aqueles que tem alguma voz, acham tudo maravilhoso. Acham que o fato das pessoas conseguirem fazer milagres de engenharia para conseguirem construir suas casas em morros sem segurança nenhuma, é algo que você tem que achar lindo.
Mas aqueles que moram na situação, sabem que não é tudo isso. Que eles vivem lá, por falta de escolha.
Até quando?
Se só pra constar, a praia de Copacabana é a visão do inferno num domingo a tarde.
Eu já viajei "bastante". Conheço um pouco do Brasil, e um pouco de lá fora. Mas nunca eu vi, ou presenciei, tanto falta de igualidade.
Eu fiquei hospedada num hotel no Flamengo, quase na praia. Me deram um quarto, por falta de outro, que tinha vista para o Pão de Açucar e de acordo com a porta, uma diária de 2.500 reais na temporada.
É claro que no primeiro dia, eu nem saí do hotel. Cheguei tarde e a reputação da cidade não é das melhores. Eu ando a noite em São Paulo, mas lá, era diferente.
Segundo dia, fui um pouquinho mais para o norte, um bairro chamado Ramos.
O lugar que fui visitar era em um prédio bem acabado, o elevador com certeza vai travar no meio do caminho uma hora dessas. As pessoas que trabalhavam lá eram humildes, aposto que a maioria delas não sabe o que é internet de 15 MB e algumas delas, um celular com whatsapp.
Me falaram que o bairro é vigiado por policiais aposentados, e por isso acontecem menos crimes. Todo mundo quanto saía do prédio, procurava pelo carro pra ter certeza que ninguém tinha levado.
Quando voltei para o hotel, já era tarde, mas resolvi que era melhor dar uma volta na praia.
Como qualquer pessoa normal, o primeiro instinto quando chega numa praia, é colocar o pé na água.
Alguém caminhando perguntou se eu ia entrar na água, eu só ri e continuei andando. Mas depois ele voltou pra conversar. Ok, em condições normais conversar com estranhos não é uma coisa boa, mas ele parecia normal demais.
Ele começou a falar sobre o Rio, como a cidade não era tudo aquilo que a mídia colocava.
Ele falava como se tivesse orgulho das favelas. Como se o crime não existisse.
E foi aí que fiquei incomodada.
É fácil pra ele, que mora a duas quadras da praia, achar que o Rio não tem tantos problemas quanto tem. Ele não mora num lugar dominado por traficantes ou super lotado de policiais. Ele pode sair pra caminhar todo dia na praia.
Ele também falou que pra ser famoso, tem que ser do Rio. Pena que isso não trás nada de importante pro mundo.
No outro dia, fui pra outra cidade, São Gonçalo. Lá a empres também tinha pessoas extremamente humildes, com opniões totalmente diferentes do moço do Flamengo. Eles viam o problema na cidade, queriam segurança, não se orgulhavam daquilo.
Fui descobrir depois que os correios não entregam carta no lugar, é muito perigoso.
Que mundo é esse? Aqueles que tem alguma voz, acham tudo maravilhoso. Acham que o fato das pessoas conseguirem fazer milagres de engenharia para conseguirem construir suas casas em morros sem segurança nenhuma, é algo que você tem que achar lindo.
Mas aqueles que moram na situação, sabem que não é tudo isso. Que eles vivem lá, por falta de escolha.
Até quando?
Se só pra constar, a praia de Copacabana é a visão do inferno num domingo a tarde.
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